Friday, February 8, 2008

Sons & Daughters - This Gift

São um quarteto, vêm da Escócia – são, portanto, conterrâneos de gente como os Franz Ferdinand ou os Jesus & Mary Chain – e possuem uma vocalista cheia de personalidade na voz. Ao terceiro álbum, os Sons & Daughters querem mesmo deixar o pequeno nicho em que estão inseridos.

This Gift – e este ponto é essencial – conta com produção do senhor Ex-Suede Bernard Butler (Aimee Mann e The Libertines), o que ajuda a perceber a similaridade entre as vocalizações de Adele Bether com os grupos femininos dos anos 60, como as Supremes ou as Rounettes, campo em que Amy Winehouse se vem destacando.

Assim, de um enérgico terceiro registo de originais sobressai o pós-punk de “House In My Hand”, que possui a energia de uns Gang of Four ou de uns mais recentes Kaiser Chiefs, uma das melhores primeiras faixas do ano “Guilt Complex” – riff que tem feito mossa no seio da comunidade indie –, o êxtase de “This Gift”, o puro prazer de ouvir “Rebels With The Ghost” e “Chains” e os exemplos práticos de uma banda ambições bem definidas que são “Darling”, “Flags” e “Iodine”.

Ainda o ano vai no seu início e temos a certeza que os Sons & Daughters vão constar nas listas de melhores do ano.

8/10

Thursday, February 7, 2008

Youtube: Korn - Hold On




"Hold On" é o segundo single extraido do mediocre Untitled, último registo de originais dos Korn. O vídeo é dedicado a um dos grandes mestres de rodeo, Lane Frost.

Wednesday, February 6, 2008

Bullet For My Valentine - Scream Aim Fire

A história dos Bullet For My Valentine, na sua caminhada para o mainstream, cabe num parágrafo. Formados no final dos anos 90 na zona Sul do País de Gales, os Bullet For My Valentine eram, nesta altura, uma daquelas bandas que fazia covers de bandas como Metallica, Nirvana e Limp Bizkit (!) antes de lançarem o seu primeiro álbum de originais, The Poison, em 2005, resultando da edição do mesmo o saldo de cerca de 1 milhão de cópias vendidas. O quarteto britânico tornava-se assim mais uma das bandas catapultadas por aquele movimento mui mal amado chamado metalcore.

Entretanto, a banda toma uma decisão, que pode parecer estranha aos olhos do “verdadeiro metaleiro”, ao recusar um contracto com a Roadrunner, para assinar pela major Sony BMG. Scream Aim Fire era então aguardado com um autêntico fervilhar de expectativas. Ponto assente: os seus críticos continuarão a persegui-los e os fãs continuarão a venerá-los. O segundo álbum da banda britânica não se esforça por se demarcar do anterior registo, repetindo a fórmula mais uma e outra vez.

Canções melódicas e preparadas para invadir as rádios mais mainstream, de que é exemplo o single e faixa título “Scream Aim Fire”, letras infantis – o maior problema do registo –, uma secção rítmica poderosa e o balanço certo entre metal e hardcore, de que poucas bandas do género se podem gabar de possuir. É notória também a influência da produção de Colin Richardson (Machine Head, Fear Factory), que já havia produzido o debutante registo da banda.

Destaque, para alem de “Scream Aim Fire”, para a colaboração de Skindred's Benji Webbe em “Take It Out With Me”, “Disappear” com coros tipicamente punk e a balada da praxe “Say Goodnight”.

Parece óbvio que os Bullet For My Vallentine ambicionam vender bastantes discos e encher as salas de espectáculo por onde quer que passem. A dúvida parece ser apenas saber se superam as expectativas.

7/10

Tuesday, February 5, 2008

Hot Chip - Made In The Dark

Entalados entre uma costela mais pop e outra mais electrónica, os Hot Chip vão-se destacando pela sua singularidade provocante. Made In The Dark não é perfeito, mas, ainda assim, é susceptível de causar mossa.

Ao terceiro álbum ainda não está tudo resolvido, mas as respostas são cada vez mais esclarecedoras. Os Hot Chip querem agradar dois públicos. A outra coqueluche da DFA – a editora de música mais dançável do momento – volta a fabricar um disco que se pode definir, de uma forma geral, como uma electro-pop com várias ramificações.

O sucessor de Over And Over abre com uma faixa erradamente introdutória, “Out At The Pictures” – e isto sim, new-rave! Segue-se uma entusismante “Shake A Fist” e, ao terceiro tema, deparamo-nos com aquela que é, porventura, a canção mais catchy do quinteto britânico, “Ready For The Floor”. Em “Touch Too Much” trazem os Klaxons à baila com falsetes a rodos – alguém falou em new-rave, outra vez? “One Pure Thought” começa movida a guitarra indie para, mais afrente, pedir emprestadas caixinhas de ritmo aos Kasabian de Empire. “Wrestlers” é infantil, nem que seja pela temática tratada. O resto é canções midtempo sem sal.

Um dia o underground e o mainstream poderão andar de mãos dadas e, nessa altura, lá estarão os Hot Chip para festejar essa espécie de anarquia.

7/10

Sunday, February 3, 2008

Youtube: Sons & Daughters - Gilt Complex



Primeiro single de This Gift, "Gilt Complex" pode muito bem ser a mais festejada canção do primeiro trimestre de 2008. Pelo menos pela comunidade indie.

Saturday, February 2, 2008

Cat Power - Jukebox

Depois de, em 2006, editar o celebrado The Greatest a abrir o ano, Cat Power volta, com Jukebox, a editar no mês de Janeiro. Foram necessários 8 anos para Chan Marshall aka Cat Power voltar a tentar a interpretação de reportório alheio. The Covers Record, o anterior álbum de covers, data já do longínquo ano 2000.

Assim, em Jukebox, Power atira-se, entre outros, a clássicos de gente como Joni Mitchell, Frank Sinatra, Bob Dylan, Janis Joplin, James Brown e Billie Holiday e recruta uma nova banda, a Dirty Delta Blues – Jim White dos Dirty Three, Judah Bauer dos Jon Spencer Blues Explosion, Gregg Foreman dos Delta 72 e Erik Paparozzi dos Lizard Music.

Há, em Jukebox há rock clássico em “New York” – sim, é mesmo o clássico de Frank Sinatra – e “Aretha, Sing One For Me”, country em “Silver Stallion” e gospel e soul, em doses variadas, espalhadas pelas restantes faixas do álbum. Destaque para os 2 originais aqui incluídos: “Metal Heart” constitui mesmo um dos mais brilhantes momentos do registo, enquanto que “Song To Bobby” é notoriamente dedicada ao mestre Dylan, numa clara referência a “Song To Woody” do cantor de “Like A Rolling Stone”. Como momentos de maior inspiração encontramos “Ramblin’ Woman”, original de Hank Williams, “Lord, Help The Poor & Needy” de Jessie Mae Hemphill, “Woman Left Lonely” de Janis Joplin e “I Believe In You”, original de, como não poderia deixar de ser, Bob Dylan.

Não nos deixemos enganar: este é apenas um álbum de covers – um belo álbum de covers, mas não mais que isso.

6/10

Álbuns de Janeiro:

Álbum do Mês:

The Mars Volta - Bedlam in Goliath (Imagem) - Link

Outros:

The Magnetic Fields - Distortion - Link

Serj Tankian - Elect The Dead - Link

The Hives - The Black And White Album Link

Radiohead - In Rainbows Link