Thursday, July 17, 2008

Testament – The Formation Of Damnation

Numa altura em que os fãs de Metallica esperam um regresso da banda às suas raízes mais trashy, os Testament elevam a fasquia, sendo que – agora sim – a banda de James Hitzfeld tem muito a provar com o tão documentado regresso às lides discográficas.

Saída do movimento da Bay Area – de onde saíram outras bandas tão importantes na cena trash como Megadeth, Slayer, e os próprios Metallica –, a banda de Chuck Billy forma-se em 1983 com o nome de Legacy, sendo com esse mesmo nome que edita o primeiro e homónimo álbum de originais. O nome Legacy viria a ser substituído por Testament devido à existência de uma outra banda Jazz com o mesmo nome.

E é precisamente com a formação com que começaram a editar álbuns que os Testament editam o seu décimo álbum de estúdio – o primeiro em 9 anos. Assim, Alex Skolnick e Greg Christian regressam depois do abandono da banda – o primeiro em 1992 e o segundo em 1994. Para completar esta formação original Paul Bostaph regressa também ele à bateria - depois do trabalho com os Slayer.

The Formation Of Damnation é um álbum de pormenores deliciosos, com um trabalho de guitarras exuberante e vocalizações agressivas. As críticas de espalhadas por toda a cena metaleira underground são de arrepiar e não é para menos: estamos perante um dos álbuns mais fortes do ano no que a edições metaleiras diz respeito.

O instrumental de pouco mais de 1 minuto serve de entrada para um álbum que exige demasiadas audições. Destacam-se “More Than Meets The Eye”, a faixa-título “The Formation Of Damnation”, a fantástica “Dangers Of The Faithless”, a rápida “The Perscuted Won’t Forget” e “Afterlife”.

Resumindo: The Formation Of Damnation está para 2008, como The Blackening dos Machine Head estava para 2007. Um dos discos do ano.

Uma nota para a capa do álbum que está deslumbrante.

8/10

Wednesday, July 16, 2008

Youtube: The Hives - Try It Again no Alive! 08



Eis aquilo que é apenas uma amostra da transloucada actuação dos The Hives no Optimus Alive! 08. "Try It Again" é do último The Black & White Album

Monday, July 14, 2008

Portishead - Third

Entalado entre o fim do grunge e a mediocridade que foi o “boom” das boys/girls bands, o trip-hop terá sido o menos bem sucedido género musical que os anos 90 pariram – comercialmente falando. Dono de uma pop melodiosa, por vezes psicadélica, por vezes desgovernada à tareia com samples descontrolados, o movimento de Bristol deu a conhecer algum dos melhores momentos musicais da década de 90. Os Portishead foram – talvez – o seu principal argumento.

A primeira coisa a apontar nos Portishead é a sua capacidade de cada um dos elemento depender do outro – ainda que seja Beth Gibbons o elemento claramente em destaque –, ou seja, nada disto soaria Portishead se faltasse qualquer um dos elementos que compõe a banda. Para além de Beth Gibbons na voz, Geoff Barrow trata da produção e Adrian Utley da guitarra.

No que concerne ao disco, este – como refere o The Guardian – não é um disco feito para amar, mas sim para admirar. Se Dummy era um gerador de culto imediato em torno do objecto musical em si, Third é um trabalho que, a ser o primeiro, não teria essa capacidade. Talentoso, sim, mas sem a alma que iluminava os Portishead há 10 ou 15 anos atrás. Negro, apertado, abrupto (“Plastic”) e minimal são adjectivos que descrevem na perfeição o terceiro disco dos Britânicos.

“Silence” abre um disco em português – inchamo-nos de orgulho – com as palavras “Esteja alerta para as regras dos três / O que você dá retomará para você / Essa lição vou tem que aprender / Você só ganhão que você merece”, dando inicio a uma autêntica locomotiva sonora. “The Rip”, “Plastic”, “Machine Gun” e, principalmente, “We Carry On” são momentos altos ainda que longe de geniais e em “Small” assistimos à melhor das performances de Beth Gibbons em todos os cerca de 45 minutos de disco. Já “Deep Water”, ainda que seja um belo momento acústico, soa deslocada.

Numa altura em que se assiste a um regresso dos grandes do trip-hop com Tricky – com novo disco já nas lojas –, Massive Attack – com novo disco em breve –, Goldfrapp – com um razoável Seventh Tree – e Morcheeba – desastrosos –, os Portishead colocam-se lado a lado com a banda de Alison Goldfrapp.

6/10

Sunday, July 13, 2008

Outros Álbuns:


  • Story Of The Year - The Black Swan - 4/10
  • The Hellacopters - The Head Off - 5/10
  • Tokyo Police Club - Elephant Shell - 5/10
  • Whitesnake - Good to Be Bad (Imagem) - 7/10
  • American Music Club - The Golden Age - 6/10
  • The Gossip - Live In Liverpool - 4/10
  • The Young Knives - Superabundance - 7/10
  • Def Leppard - Songs From The Sparkle Lounge - 6/10
  • Mudcrutch - Mudcrutch - 7/10
  • Robert Forster - The Evangelist - 7/10

Saturday, July 12, 2008

Youtube: Machine Head - Halo



O segundo vídeo/single retirado do fantástico The Blackening é "Halo", talvez a melhor faixa de um registo que, de resto, é todo ele fenomenal. The Blackening é um daqueles álbuns capaz de converter novos crentes à causa metal e um dos melhores álbuns de 2007.

Friday, July 11, 2008

Optimus Alive! 08 - 10 de Julho - Passeio Maritimo de Algés

Com uma sucessão de grandes concertos, o primeiro dia do Optimus Alive! 08 é sério candidato a melhor dia de sempre no que a festivais de verão diz respeito.

Kalashnikov – Há algo para lá do elemento “diversão” que distingue os Kalashnikov de muitas outras bandas do género – leia-se, trash-metal. A banda de Jel, para além das divertidas letras pró-guerra, é composta por músicos de razoável qualidade que dominam de forma razoável os seus instrumentos. Mas, não destoando dos objectivos da banda – que será, certamente, divertir mais do que agradar o ouvido mais exigente –, os Kalashnikov desfilaram os seus já bem conhecidos temas – “One love one famaly” e “Warriors of the Hezbollah” à cabeça –, com Jel como perfeito mestre de cerimónias que, no seu discurso, coleccionou “funkings” como se não houvesse amanhã. Destaque ainda para a chamada de Fernando Ribeiro a palco para colaborar em “Warriors of the Hezbollah”. Ainda que possa gerar pouco consenso, a escolha para abrir o primeiro dia do evento revelou-se, de certa forma, acertada.

6/10

Vampire Weekend – Impressionante o mar de gente que invadiu o espaço Metro On Stage para assistir à actuação destes quatro miúdos de Brooklyn. Respondendo positivamente às expectativas, os Vampire Weekend desfilaram quase todos os temas do homónimo álbum de estreia com “A-Punk”, “Oxford Comma”, “M79” e “Walcott” a quotarem-se como as canções mais festejadas da noite. A banda ainda arranjou tempo para apresentar um inédito. O suficiente para provar que os miúdos não querem ficar agarrados à formula que (já) os tornou famosos.

7/10

The National – Num concerto claramente regado a vinho e deslocado no que a palco diz respeito, os National deram aquilo que deles se esperava: grandes canções. Ainda que o espaço não fosse ideal, a banda de Matt Berninger deu um belo concerto de fim de tarde, em que canções de Alligator foram alternando com as do justamente aclamado Boxer. Destaque para “Squalior Victoria”, “Racing Like A Pro”, “Fake Empire” e “Mr. November”.

6/10

Gogol Bordello – Se os National se revelaram um óbvio erro de casting no que a palco diz respeito, já os Gogol Bordello encheram o palco e as medidas do público que esperava uma actuação tão boa como a que a trupe de Eugene Hutz presenteou o público da última edição do Festival Paredes de Coura. “Despachando” desde logo os seus mais conhecidos êxitos, “Ultimate”, “Wonderlust King” e “Start Wearing Purple”, a banda multi-étnica soube agarrar o público desde o inicio – como se fosse realmente necessário. É incrível verificar que à medida que a actuação avança o caos parece aumentar e esse será um dos grandes trunfos que os autores de Super Taranta parecem explorar. Memorável – mais uma vez.

8/10

The Hives – Depois da loucura desenfreada que foi a actuação dos Gogol Bordello, quem melhor que os Suecos The Hives para suportarem a dolorosa transição para Rage Against The Machine? A banda Pelle Almqvist agarrou o público desde o primeiro momento, fazendo desfilar alguns dos momentos mais celebrados da sua ainda curta carreira. Momentos como o primeiro êxito de sempre, “Walk Idiot Walk”, e as boas canções do último The Black And White Album, como são exemplo “Try it Again” e, quase a terminar, “Tick Tick Boom” foram recebidas de forma energética pelo público que já guardava lugar para o momento alto da noite. Mais uma actuação memorável dos The Hives que, ao contrário do que Almqvist pensa, presentearam-nos com a sua terceira prestação em terras lusas.

8/10

Rage Against The Machine – O mais que esperado regresso dos Rage Against The Machine (RATM) a Portugal não poderia ter sido menos que o momento alto da noite. A banda de Tom Morello e Zack De La Rocha presenteou o público português com um alinhamento em formato claramente best-of que agradou, com toda a certeza, a gregos e troianos. Abriu com “Testify” e “Bulls On Parade” e fechou com “Freedom” e o inevitável “Killing In The Name”. E se pensarmos no carácter emblemático destes temas facilmente chegamos ao carácter épico que este regresso dos RATM a Portugal. Pelo meio houve ainda temas igualmente marcantes como “People Of The Sun”, “Bullet In The Head”, “Know Your Enemy”, “Guerrilla Radio” e uma adulterada “Sleep In The Fire”. Os quatro carismáticos da banda encheram sem grandes dificuldades o palco – Brad Wilk, na bateria, talvez tenha sido o mais discreto –, com destaque para Zack De La Rocha – uma energia inesgotável e constantemente a puxar pelo público português – e Tom Morello – a domar a guitarra como nenhum outro e, logo a abrir, a demonstrar-se literalmente cheio de “pica”, quando em “Testify” deixa cair a já inseparável e conhecida boina. Um momento para as mais belas memórias tanto dos fãs como do festival. Este é o momento em que mais tarde muitos vão poder dizer: “Eu estive lá!”

9/10

Wednesday, July 9, 2008

Rage Against The Machine amanhã no Optimus Alive!

Será com toda a certeza um dos mais marcantes eventos do ano e contém, porventura, o momento mais emocionante do ano. O Optimus Alive! arranca amanhã, com um dia encabeçado pelos Rage Against The Machine (RATM).

Donos de um legado invejável, desde o início os RATM se destacaram relativamente aos seus pares – que é como que diz Nu-Metal. Donos de uma secção rítmica carismática – o baixista Tim Commerford e o baterista Brad Wilk –, um guitarrista singular (Tom Morello) e um vocalista facilmente reconhecível (Zack de la Rocha), os RATM misturaram, com uma eficácia irrepreensível, rap, rock, metal, punk até funk em que letras fortemente politizadas alertavam para as políticas Norte-Americanas menos consensuais.

Donos de alguns dos melhores momentos discográficos da década de 90, os Californianos editam, em 1992, o seu álbum de estreia, Rage Against The Machine, um cocktail de influências perfeito para uma geração sedenta de revolução – aqueles a quem nem Nirvana, nem Pearl Jam, nem Mudhoney satisfaziam os ideiais políticos.

Quatro anos depois é editado Evil Empire – talvez o menor dos três álbuns da banda – e, três anos depois, The Battle Of Los Angeles. Do espectáculo de amanhã certamente não faltarão à chamada hinos como “Bombtrack”, “Killing In The Name”, “ Bulls On Parade”, “Sleep In The Fire” ou “Guerilla Radio”.

Mas nem só de Rage Against The Machine vive o cartaz deste primeiro de festividades. Por Algés passarão também nomes como os National – quem ainda não ouviu Boxer está a perder um dos álbuns da década – os gipsy-punks Gogol Bordello – os que os viram na edição 2007 do Festival Paredes de Coura certamente saberão que ao vivo a coisa é substancialmente melhor que em estúdio – e The Hives – ainda com The Black And White Album na carteira. Pelo palco principal passarão ainda os Kalashnikov, Spiritualized e Galactic. Pelo Metro On Stage passam Mgmt – o mais recente hype de 2008 e donos de um dos hinos do ano, “Time To Pretend” –, Vampire Weekend – os miúdos de Oxford donos de uma Afro-pop perfeita, perfeita, sendo Vampire Weekend um dos grandes álbuns do ano –, Hercules & The Love Affair – o projecto de música de dança que conta com a participação Anthony dos Anthony & The Johnsons e um dos mais interessantes do campo da electrónica do ano – e Peaches – em formato DjSet – Sons Of Albion – a banda do filho de Robert Plant que soa, como não poderia deixar de ser, a Led Zeppelin. As Cansei de Ser Sexy entretanto cancelaram o espectáculo. Assim, tanto Mgmt como Peaches terão mais tempo de antena.