Thursday, May 10, 2007

The Stooges - The Weirdness

Se, á coisa de duas semanas, aquando da critica ao segundo álbum dos Arctic Monkeys, referia que, em relação ao álbum de há um ano atrás, a fórmula era a mesma, o que dizer quando a fórmula já é a mesma à 40 anos? Poderá se argumentar que em 34 desses 40 não existiram quaisquer edições discográficas mas...

The Weirdness é Rock directo, clássico, sem desvios. "Free and Freaky" é um exemplo perfeito. É música descomprometida e divertida. Não é, portanto, um álbum para levar totalmente a sério. "You Can't Have Friends" possuiu aquele refrão orelhudo típico de Iggy Pop, assim como "Idea of Fun", o melhor momento do álbum, em que Iggy chuta "My Idea of Fun / Is Killing Everyone". Está tudo dito.

Uma mesma formula para todo o álbum que sempre foi a formula dos Stooges.

5/10

Noisettes - Whats The Time Mr Wolf

O que diferencia o Indie Rock dos Noisettes, das restantes bandas praticantes do estilo, é a voz da vocalista Shingai Shoniwa: fortíssima, frenética, imparável, carismática. A banda poderá ser responsável por alguns dos melhores momentos, ao vivo, do ano. Isto, claro, se a energia em disco passar para o palco.

The White Stripes e Yeah Yeah Yeahs dizem-se as principais influências. Dos primeiros há a forte bateria de Jamie Morrison e dos segundos a rebeldia feminina contida numa frontwoman extremamente personalizada.

Oiça-se o primeiro single "Don't Give Up" e descortine-se a soul (outra das influências aqui inseridas) contida na voz da menina que canta. Há desvarios jazz, tornando-se imparável em "Sister Rosetta (Capture The Sprint)".

Não é das melhores coisas do ano, mas é bom.
7/10

Friday, May 4, 2007

Brincando aos Clássicos: Nirvana - Nevermind

Há muito a escrever sobre Nevermind para além do facto de ter sido o mais marcante álbum dos anos 90 e um dos melhores de sempre. Depois da crueza de Bleach era impossível esperar algo assim. Nevermind é álbum suficiente para mudar o mundo. E mudou mesmo. O nosso, mas principalmente, o dos três jovens músicos de Seattle: Chris Novoselic, Dave Grhol e, particularmente, Kurt Cobain.

Concentremo-nos nas canções. Nevemind possui uma das melhores colecções de riff's de sempre da história do Rock. "Smells Like Teen Spirit" possuirá o melhor de todos. A canção explode com a bateria de Dave Grhol mas é a lírica forte e a rebeldia qb do vídeo que torna a canção num sucesso de nível mundial e num clássico de sempre. Possui ainda um dos melhores solos de todos os tempos que se limita a seguir a melodia da canção. É aqui que a embarcação dos Nirvana dá uma volta de 180º. "In Bloom" possui mais um grande riff e, ao contrário de "Smells Like...", não explode com a bateria de Grhol mas sim com o poderoso refrão cantado por Cobain e duplicado em coro com o baterista da banda. "Come As You Are" é, para não variar, mais um grande e marcante riff, mais um clássico instantâneo, deprimente e talvez a canção com a letra mais ininterpretável dos Nirvana. "Breed" consegue arrancar - sim, adivinharam! - mais um grande riff e, a par de "Stay Away", são as canções com mais groove de "Nevermind". "Lithium" é a canção pseudo-depressiva, em que Cobain expulsa para fora todo o ódio que possui de si mesmo. "Polly" é a balada em que Cobain se coloca na pele de advogado do diabo. Expressa os sentimentos de um violador para com a sua vítima. A letra é baseada numa notícia que havia chocado Cobain. "Territorial Pissings" é a canção mais pesada. Contém frases como "Just because you're paranoid / Don't mean they're not after you" que explicam o porquê de Cobain ter sido, por muitos, considerado um génio. "Star Away" para além do já referido groove lança a par de "Smells Like..." uma certa angústia de Cobain para fora. Frases como "Rather be dead than cool" e, claro, "God Is Gay" provam-no. "Drain you" arranca com "One baby to another said / I'm lucky to met you / I don't care what you think / Unless it is about me", introdução, no mínimo, contagiante. É uma das canções que se diz ter sido composta a pensar em Tobi Vail - vocalista das Bikini Kill que havia deixado Cobain por não desejar relações sérias. "On a Plain" é um hino à improvisação! O líder dos Nirvana debita, em piloto automático, uma letra que é obviamente...improvisada (É certo, sabido e admitido que Kurt compunha as letras à pressa no final das gravações). A canção começa mesmo com "I'll start this off without any words". Comprovado! Something In The Way" é mais uma balada que descreve a experiência do vocalista na altura em que foi expulso, pela mãe, de sua casa. O álbum acaba com uma Jam, em que a banda segue Cobain que explode de fúria. Indecifrável!

A mistura de rebeldia, groove, distorção, a voz de Cobain, a forte bateria de Grhol e alguns dos melhores riff's da história do Rock, tornam Nevermind num clássico incontornável da história do Rock e Cobain num ícone da música ao nível de Freddy Mercury ou Jim Morrison.

Tuesday, May 1, 2007

Within Temptation - The Heart Of Everything

Em fórmula que ganha não mexe. Os Within Temptation (WT) não mexeram.

Importa aqui questionar, o que afinal ganharam os WT depois do último The Silent Force? O reconhecimento, o público e...contas bancárias mais avolumadas. E, claro, perderam. Perderam a identidade, os mais acérrimos fãs e a criatividade.

The Heart Of Everything é, em tudo, igual a Silent Force. Os riff's de guitarra são mesmo muito iguais entre si, ressalvando a ideia que estamos a ouvir sempre a mesma canção no que a guitarra diz respeito. A voz de Sharon Den Adel continua também ela no mesmo tom e com o mesmo problema: demasiado melodiosa. Meia audição chega para fartar o ouvinte.

"What Have You Done" com a participação de Caputo vai ser responsável por muitos Gilty Pleasures, incluindo o do escriba e é a única faixa que marca alguma diferença entre The Heart... e o seu antecessor.

Bizarra a forma como na faixa título Sharon chega a parecer Alannis Mourissette.

3/10

Klaxons - Myths Of The Near Future

Um novo fenómeno musical ao qual chamam de New-Rave, por terras de Sua Majestade, anda por aí a (tentar) dar cartas.

Os Klaxons talvez sejam donos de uma fórmula singular nos dias que correm. Não são uns novos Franz Ferdinand, ou uns !!!, ou muito menos uns Oasis. As referências passam pela pop dançável de uns Primal Scream ou, mesmo, de uns Stone Roses. Acaba por resultar numa experiência de certa forma caótica mas de enorme qualidade e potencial.

É, pois, difícil ficar indiferente ao contagiante ritmo de que as canções dos Klaxons são feitas. Junte-se-lhe uma lírica bizarra (minotauros e unicórnios incluídos) como que a gerar um novo movimento a par dos Wolfmother, ao qual poderiamos chamar de Mad-Rave.

8/10

Clap Your Hands And Say Yeah - Some Loud Thunder

Há dois anos, os Clap Your Hands And Say Yeah eram recebidos de braços abertos, não só pela comunidade indie, mas também pela imprensa especializada. A estreia homónima chegou mesmo a conquistar o lugar nos marcos do ano para muitas publicações.

Provavelmente, se a estreia não tivesse sido recebida de forma tão fervorosa - como aconteceu para estes lados e, neste momento, os Clap Your Hands And Say Yeah não estariam a ser dissecados pela imprensa musical estrangeira.

É verdade que é quase impossível descodificar as palavras debitadas pela encavalitada voz de Alec Ounsworth, sendo que, a certa altura, nos perguntarmo-nos se não terá o mesmo inventado um novo dialecto. Ainda assim, boas faixas como "Satan Said Dance" e "Yankee Go Home" não deixam Some Loud Thunder bater no fundo. Nem pouco mais ou menos.

6/10

The Hold Steady - Boys And Girls In America

O conceito dos Hold Steady ultrapassa a normal definição de Rock. A forma como Craig Finn se torna num contador de histórias ultrapassa o conjunto guitarra, baixo e bateria que caracteriza o estilo indie. Ele é um autentico Messias do Rock contemporâneo.

Comecemos por concluir - perdoe-se a antítese - que no que Separation Sunday foi a surpresa, Boys And Girls In America é a confirmação. Guitarras destorcidas e pesadas (em "Same Kooks" chega a soar heavy metal no solo de guitarra), sendo ainda assim pormenores como a voz feminina no refrão de "Chillout Tent" que fazem de Boys And Girls In America um grande álbum de Rock.

Chamemos-lhe poetry-Rock.

8/10